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Mostrando postagens de 2013

Petra

Quando fui pedra / quarando os choros em beira de rios Avolumei lágrimas e cansaços. Quando fui guerra / incendiando os passos em desalentos Arrebentei amarras e depressões. Quando fui pedra. Quarando ternura sobre as pedras / quando fui guerra Acariciei risos e abraços. Fui pedra. Expurgando dores sob os risos/quando fui pedra Expulsei toda a mágoa e solidão. Fui guerra. Inundei toda tristeza e desamparo Refiz a vida e a receita Apedrejei toda ausência e traição. Pedra. Enganei   a saudade e a maldição Expus meu riso em largas praças Mudei de tênis e de calçada. Guerra. Quando sou nuvem /   passarinhando por entre os fios Levito sobre o dossel encantado Caio, levanto e passo Estendo o braço e ergo as mãos. Sou pedra feita de aço.

ARCo

Se te vejo sob a moldura meus braços se transformam em emoção tuas mãos são arcos elevados amor e sedução. Quando te sinto bem de perto teu olho translúcida paixão transfigura minha alma em desatino perco arco, deixo o chão. Se te perco de meu olhar figura solta em vão de porta destino se mistura em oração caminho torto de perdição. Quando me sinto em comunhão tua alma água em ebulição faz em minha fronte santa bênção perco medo, deixo o chão.

Costura

Quando te pensei costura A linha se emaranhou em minha mão Feito lã e gato enovelados. Quando te pensei poente O sol se fez inverno em tua face Feito frio e agasalho acasalados. Quando te pensei copo A água se fez mais límpida em meu olho Feito gelo e calor emparelhados. Agora que fazes costura em minh’alma E lavas minha ternura em teu agasalho Não há frio nem poente. Não há limpidez maior em minha face Nem linha em traçado tão caliente. Agora que em minh’alma calor fazes.

Luta fugaz

As mãos passeam lentas por um campo minado de amor. Fogueiras acendem-se e na horizontal labaredas de paixão ascendem consumidas em carinhos. As vozes sussurram dentro da noite suores escorrem entre corpos. Sou grito estendido e mão contraída. És respiração ofegante, aperto mais forte. Ambos guerrilheiros do amor empenhados em uma luta que a tudo exalta e em um instante morre.

Flash

A voz se aquieta em dormente apatia.   O silêncio cala a angústia amedronta o amor e nas armadilhas a paixão emudece. O olhar contempla aflito e errante a alma pulsa em compasso desespero. Os pés, esses cambaleiam na incerteza            dunas de indiferença e   solidão. A palavra faz o caminho inverso afastamento de quem pontua errado um texto já esquecido, de outrora sentido. Teimosa a mão se lança no abraço a cabeça em maresia se eleva tonta de esperança e fé. O tempo irá dizer se insensatez ou comunhão.

Passione

  Uma paixão que salta aos olhos solta amarras do coração queima em desejos únicos faz-se gesto em abraços é labareda que se assume no sumir de noites vãs faz do silêncio eco zumbido de emoções. Uma paixão que ama faz do amor sua paixão entre portas e camas renasce em única forma a forma de ser alma irmã de eterna paixão.

Someday

Algum dia quando eu crescer não mais sentirei vazio a me percorrer nem lágrima a me inundar por dentro. Se um dia vier a ser quem sabe o que terei nos lugares ocupados por vazios e por dentro o que me inundará. &&&&&&&&& Escrito há 29 anos, quando eu tinha 28, o poema revelava toda uma inquietação. Uma solidão acompanhada de gentes. Ainda escrevo e a inquietação - ainda que redundante! - se aquietou - ou mudou de posição. Hoje se deita comigo sem me tirar o sono. As palavras ainda não me deram a resposta - como disse Cecília Meireles - para o desenho da vida. Todavia, continuo desenhando. Quem sabe um dia o desenho fique pronto! Ou tomara não - assim viverei um tanto a mais.

PaisAGEM

Os olhos se derramam pela paisagem. Até onde o mar alcança é só lágrima e tristeza. Saudade marinheira. Sob os pés a areia lhe parece estranha, vontade de asas. No início, a ausência lhe parecera temporária, tempo de uma estação. A da esperança. Ocupara-se tecendo a teia que à noite era proteção contra os ventos à porta de casa. Os olhos se derramam pela paisagem. Até onde o sertão alcança é só mágoa e dor. Saudade sertaneja. Sob as mãos o algodão lhe parece estranho, vontade de linho. No início, a ausência lhe parecera eterna, tempo de uma vida. A da resignação. Ocupara-se guardando o sol que à noite era esconderijo contra os desejos à beira da cama. Os olhos se derramam pela paisagem. Até onde a planície alcança é só desamparo e solidão. Saudade invernal. Sob o rosto os vincos lhe parecem rudes, vontade de velhice. No início, a ausência lhe parecera vaidade, tempo de uma fase. A da desilusão. Ocupara-se guardando o ar que à noite era líquido contra o tempo escoando p...