Pular para o conteúdo principal

Pra DedÉU

Faz tempo que deixei de acreditar em inferno nos termos religiosos.
Da Divina Comédia não sei o suficiente para dizer que acredito no inferno dantesco. Possivelmente.
Mas, que na vida tem um bocado de aperreio, ah, isso tem!
Os que nós provocamos. Os que os outros nos provocam.
Destes, para mim o mais recorrente é o de pessoas quererem me enterrar viva.
Não sei o porquê. Quer dizer, suponho. Apenas.
Fico quieta, não me interesso pela vida alheia. Há muito deixei de dar conselhos, cada um viva como quiser.
Tudo tem um preço, mas as pessoas insistem em não acreditar nisso.
Depois, reclamam daquele erro cometido, daquela omissão ou daquela agressão, nem sempre física, muitas vezes psicológica.
Tenho medo, não. Dificilmente, fico calada nas horas de opinar, embora já me dê o direito de não opinar por aquilo que não vale a pena.
Meu trabalho, por exemplo. Vale.
E falo, como se diz no interior, para dedéu. (Quer dizer, muito).
Educação é função difícil de se exercer. Todos que não a exercem são especialistas. Desprezam as posições de quem nela vive, anda, dorme e sonha. É um negócio extremamente lucrativo para uns. Para outros, nem tanto.
Essa semana o Ministro do Superior Tribunal Eleitoral, no ato de posse, disse que falta Educação no país, pois se houvesse, algumas das mazelas de hoje não existiriam.
Verdade.
Como também o é que os problemas da Educação não são novos. As soluções abundam, mas na hora das ações, concretizá-las é o lado perverso da moeda. Nem sempre acontece, nem sempre são eficazes.
Educação é ciência, é coisa séria. Ser professor não é para qualquer um. É necessário ter uma consciência social ampliada, rejeitar ações que promovam desigualdades, é lutar pelos alunos da escola pública, estes tão necessitados tanto de pão como de letras.
E quando se fala em Educação, inevitável não se falar em dificuldades, em desafios. É nosso pão diário. E em meio a crises, soluções mirabolantes aparecem a granel.
Assim, não podemos esperar morrer para saber o que é inferno. Sabemos sempre quando "os especialistas" falam. Um deles, estes dias, disse que afinal, as crianças da Educação Infantil vão ter contato com as letras, porque receberão livros didáticos. Sandice!!!!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bugol

  Nos idos dos anos 60, os Estados Unidos implementaram um programa de assistência aos países do terceiro mundo denominado de Aliança para o Progresso. Através dele, a população carente recebia alimentos para suprir as necessidades nutricionais, além de recursos financeiros para o desenvolvimento do estado, como casas populares, escolas. Dessa leva, em Natal se construíram o conjunto habitacional Cidade da Esperança e o Instituto de Educação Pte Kennedy, enquanto o navio Hope, ancorado no Porto na Ribeira, distribuía leite em pó e realizava tratamentos médicos e cirurgias que até então eram inacessíveis aos potiguares. O símbolo do programa era um aperto de mãos entre indivíduos, simbolicamente estadunidenses e latinos americanos. Os americanos não estavam preocupados altruisticamente em salvar populações da fome. Estavam muito mais interessados em fazer com que o comunismo não aportasse e conquistasse terrenos por essas bandas. Era o tempo da guerra fria, o mundo polari...

oSSevA

Corro pela lama, atravesso o sol e a lua distante me observa irônica zombando-me. Arrepia-me pensar na inutilidade da carreira, da volta, da linha reta sobre o trilho, sobre a rua sob a lua. Escapa-me o sentido de duas ruas, quatro prédios ladeira acima e abajo. Recuso-me a ser uma rede social de futilidades e palavras institucionalizadas, diários coletivos ao vento, em traços virtuais dando conta do banho, do jantar, da comida sobre o fogão ou a falta de sono, de dinheiro, de amor, excesso de trabalho. Sou além de ondas computadorizadas, estou além de rótulos, modismos. Abusada, não me contenho na lata do siri que pula, bate e não sai do canto. Meu canto é mais amplo, mais livre porque meu sem alarde.

No interior do interior

Macabéia é um dos personagens mais singulares da Literatura Brasileira. A moça que vem do interior para a cidade grande na tentativa de realizar grandes sonhos. Grandes sonhos não significam a mesma coisa para todo mundo. Os de Macabéia são basicamente encontrar o grande amor e ser feliz para sempre, mesmo que essa felicidade seja com um cara simplório, que fala difícil sobre parafuso e sonha ser deputado. O sonho de Macabéia acaba abruptamente sob as rodas de um carro, justo quando ela saía da casa de uma cartomante que lhe predissera um futuro brilhante. Não lembro detalhes do livro, não o tenho aqui, mas em linhas gerais a narrativa se concentra em uma moça simples com uma vida monótona, que ouve rádio à noite depois de um dia repetitivo de tarefas em um escritório. Todos nós conhecemos alguma Macabéia, aquela pessoa que sai do interior, mas não consegue tirar o interior de dentro de si. O desafio da cidade grande não é suficiente para lhe encorajar a vencer limites, buscando um aut...

Miolo de quartinha e carga d'água

Não adianta. Não adianta colocar os dedos sobre o teclado e fazer um download que me leve à inspiração quando os acontecimentos me travam para o escrever e preencher o espaço do blog esta semana. Já pensei numa série de coisas, fictícias ou reais, e nada. Já li alguns jornais em busca de uma notícia que merecesse um comentário e nada. E olha que encontrei um bocado de coisa: no Paraná, um cinegrafista morreu atropelado por um avião. O rapaz de apenas 26 anos, olhando pela angular da câmera, não percebeu que o avião estava verdadeiramente próximo e sofreu o impacto fatal. Um marinheiro russo, servindo em um submarino, foi preso porque plantou maconha em uns jarrinhos perto da escotilha e estava "abastecendo" os colegas (isso sim é que visão capitalista!); o estilista famoso da Luciana Giminez, Ronaldo não sei das quantas, foi preso no cemitério roubando dois vasos de flores. Ele se explicou cientificamente: disse que estava tomando um remédio antidepressivo que o fazia comete...

CONjugaSÓS

Eu te conheço tu me conheces nós nos desconhecemos. Eu te amo tu me amas nós nos sufocamos. Eu te confio tu me confias nós nos duvidamos. Eu te prometo tu me prometes nós nos esquecemos. (Imagem: Eros e Psiquê - Edward Munch. Galeria Mun. de Arte - Oslo)

CriAnÇa teM caDa Uma

Ontem em almoço com familiares, minha mãe relembrava a vez que o neto prendera a cabeça entre um cano de orelhão e a parede. Nem ele nem ela lembraram que idade ele tinha, mas ela lembrava como torceu e torceu a cabeça dele para sair daquele sufoco – literal pode se dizer! – e que já estava pensando em chamar o bombeiro para serrar o cano. Nas festas natalinas do ano passado, a filha de uma amiga de uma amiga, sentou-se no colo de Papai Noel lá no Midway e pediu uma bicicleta. O Papai Noel, sem saber das intenções da mãe – principalmente suas condições financeiras – disse para a garota de três anos que talvez ela não ganhasse o que estava pedindo, porque ele tinha muitos pedidos para atender, mas que ela não ficasse triste. Ela ganharia algo, mas ele não tinha certeza que seria uma bicicleta. A garota ouviu, não disse nada, levantou-se e caminhou em direção à mãe. A uma boa distância do Papai Noel virou-se e mandou: - Papai Noel, se você não mandar minha bicicleta, você tá fudido!!! ...