Pular para o conteúdo principal

Where's Monaliza's smile?

Mesmo antes, muito antes, do boom Dan Brown e seu código Da Vinci – dos quais ninguém agüenta mais falar/ouvir – já havia uma polêmica sobre quem seria a mulher de tão enigmático sorriso pincelada pelo Da Vinci, chegando mesmo a se especular que não foi o Leonardo que pintou o famoso quadro (quem sabe foi o Donatello, ou o Rafael, ou o Michelangelo, as tartarugas ninjas!).
Depois de todas essas letrinhas aí acima, vocês podem pensar que me atreverei a escrever sobre pintura renascentista. Não. Quero me referir a outra Mona Lisa. Uma mocinha de 20 anos, cuja grafia do nome era Monaliza.
Monaliza era igual a uma danação de jovens que todos os dias sai para trabalhar, estuda, gosta de baladas, passeia pela internet e curte o sol maluco de Ponta Negra. Também como um bocado de moças, ela tinha um namorado. E aí começava o problema de Monaliza.
O namorado tinha aquilo que hoje os psiquiatras e psicanalistas denominam de "síndrome de Otelo", referência ao personagem Otelo da tragédia shakespeareana, cujo ciúme doentio faz com que ele, desconfiando de traição, mate a mulher, e depois crave o punhal no próprio peito. O monstro de olhos verdes não perdoa. Nele se conjugam valores morais, traços culturais, desvios de personalidade, frustração e o diabo a quatro! No final apenas uma única coisa: há pessoas que reagem mal, muito mal à rejeição!
Psicanálise à parte, o número de mulheres vítimas de crimes passionais é assustador. Há homens aí matando as ex por se acreditarem donos do corpo e da alma daquela que um dia ele considerou sua propriedade. As delegacias estão repletas de boletins de ocorrência, mulheres à procura de proteção. Como as autoridades podem proteger alguém de uma pessoa insana que no meio da rua saca uma arma e "bang, bang, you're dead"?? Muitas dessas mulheres vivem com medo, às escondidas numa casa mantida pela polícia. Perderam a liberdade, deixaram filhos porque um camarada autenticou um registro de senhor absoluto. Muitas, muito mais do que as refugiadas nas casas, estão mortas. Tristemente mortas porque toparam com o amor errado.
Ciúme pode ser lindo no romantismo de Roberto Carlos ("se você demora mais um pouco, eu fico louco..."), no rock do Ultraje a Rigor ("mas, eu me mordo de ciúme") e na erudição de Chico Buarque ("já lhe dei meu corpo, não me servia/ já estanquei meu sangue, quando fervia...") na peça Gota d'água baseada na tragédia grega Medéia (Eurípides) que envenena os filhos e se mata por perder o amor de Jasão. Aqui uma faceta do mesmo problema: mulher ciumenta, obsessiva, mata filhos, mata rival, mata-se até, mas nem sempre mata o objeto do amor, mantendo uma louca esperança de que este lhe pertencerá cessados os obstáculos.
Na vida real, ciúme é f... com ph e tudo!

Comentários

Anônimo disse…
Seu raciocínio é perfeito, tenho um orgulho danado!!!!
faguiar
Fantasma disse…
Ed, sua lucidez dói. Não que os problemas internacionais com as mulheres me deixem indiferente. É que temos tantas no Brasil com quem nos preocupar!
Anônimo disse…
Você foi muito corajosa ao falar sobre esse tema tão complexo e delicado, que acontece em todas as camadas socias, mas ainda é tratado como tabu e tudo miundo finge que não acontece e quando acontece a culpa sempre é da mulher, que envergonhada, não toma nenhuma atitude e quando toma o cara vai lá paga uma cesta básica e fica tudo bem.

Postagens mais visitadas deste blog

Bugol

  Nos idos dos anos 60, os Estados Unidos implementaram um programa de assistência aos países do terceiro mundo denominado de Aliança para o Progresso. Através dele, a população carente recebia alimentos para suprir as necessidades nutricionais, além de recursos financeiros para o desenvolvimento do estado, como casas populares, escolas. Dessa leva, em Natal se construíram o conjunto habitacional Cidade da Esperança e o Instituto de Educação Pte Kennedy, enquanto o navio Hope, ancorado no Porto na Ribeira, distribuía leite em pó e realizava tratamentos médicos e cirurgias que até então eram inacessíveis aos potiguares. O símbolo do programa era um aperto de mãos entre indivíduos, simbolicamente estadunidenses e latinos americanos. Os americanos não estavam preocupados altruisticamente em salvar populações da fome. Estavam muito mais interessados em fazer com que o comunismo não aportasse e conquistasse terrenos por essas bandas. Era o tempo da guerra fria, o mundo polari...

Luta fugaz

As mãos passeam lentas por um campo minado de amor. Fogueiras acendem-se e na horizontal labaredas de paixão ascendem consumidas em carinhos. As vozes sussurram dentro da noite suores escorrem entre corpos. Sou grito estendido e mão contraída. És respiração ofegante, aperto mais forte. Ambos guerrilheiros do amor empenhados em uma luta que a tudo exalta e em um instante morre.

First love

Matheus é apaixonado por Maria. Arriado os quatro pneus e tudo o mais que se pensa de uma paixão. Maria sabe, mas finge que não percebe, ela não pode fazê-lo acreditar que ele é único, especial. É atenciosa com Matheus, puxa conversa daqui, dali e Matheus vai se revelando. Cada dia inventa assunto para se exibir diante da musa. Pra ele a vida é injusta, é o que costuma dizer. Como pode Maria não querer somente a ele? Ele fica desolado com a situação. A paixão de Matheus é tanta que a raiva lhe sobe à cabeça quando Maria dá atenção a outros – seja quem for. Chora, esperneia, pergunta se Maria o ama. No período em que Maria ficou de férias, ele não se conformava que iria ficar duas semanas sem vê-la. Não era justo! O jeito era se virar com os jogos do seu time, torcendo para que ele não perdesse e fosse rebaixado de divisão. Matheus sabe que Maria tem namorado, mas não o conhece. Até já perguntou se os dois moram juntos e ao receber um não como resposta, disse que não entendia, porque na...

Petra

Quando fui pedra / quarando os choros em beira de rios Avolumei lágrimas e cansaços. Quando fui guerra / incendiando os passos em desalentos Arrebentei amarras e depressões. Quando fui pedra. Quarando ternura sobre as pedras / quando fui guerra Acariciei risos e abraços. Fui pedra. Expurgando dores sob os risos/quando fui pedra Expulsei toda a mágoa e solidão. Fui guerra. Inundei toda tristeza e desamparo Refiz a vida e a receita Apedrejei toda ausência e traição. Pedra. Enganei   a saudade e a maldição Expus meu riso em largas praças Mudei de tênis e de calçada. Guerra. Quando sou nuvem /   passarinhando por entre os fios Levito sobre o dossel encantado Caio, levanto e passo Estendo o braço e ergo as mãos. Sou pedra feita de aço.

Leão ao meio-dia

O leão apareceu no meu caminho ao meio dia em plena avenida, carros e gente passando em linhas retas e transversais. Quando pus o pé na faixa de pedestre, olhei o sinal, levantei o olhar: lá estava a fera, à espreita, prontíssima a me devorar! Sua roupa vermelha alardeava ainda mais suas intenções - não segundas, mas primeira e única: me derrubar ali mesmo. (Se o momento não fosse tão trágico, eu teria rido: aquele leão vestido de vermelho era uma pantomima ridícula de uma tourada servilhana, fazendo da avenida uma arena, certamente esperando ansioso o Olé da multidão!). Atônita pela surpresa, recuei. O pé voltou em câmera lenta para a calçada e meus olhos relâmpagos relancearam ao redor para ver se alguém estava tomando alguma atitude. Nada. Ninguém deu a mínima para o leão, todos passaram a faixa tranquilamente, prestando atenção aos carros, ao semáforo e tomando cuidado para não atrapalhar a travessia do outro. O leão lá. Claro agora que o alvo era eu. Mas, o que diabo aquele leão t...