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Lâmina de ViveR


O pessoal de publicidade é muito criativo ou muito louco - ou ambos. É inegável, no entanto, a visão que se tem sobre a tirania dos baixinhos: crianças à mercê dos pais, querendo que suas vontades prevalençam sobre tudo - o mais grave, sobre todos.
O comercial - desconsiderem o título, pois não é o melhor comercial do ano de 2010 - para vender a velha gilette, usa a supremacia da criança sobre o adulto, embora a visão seja muito hollywodiana. Mesmo assim, não se pode deixar de observar que há uma certa apologia à violência para que através dela se consiga o amor da mãe. O complexo de Édipo aí é tão explícito que se chega a sentir pena do pobre pai.
Pobres pais, pobres crianças!
Pobres de todos nós que vivemos em uma sociedade que para vender lâmina de barbear apela para um mundo no qual a pele dos bebês era tão suave, que a mãe esquecia o marido e este, raivoso, ciumento, descobre a lâmina de barbear que deixará sua pele tão suave quanto a do filho que a esposa acaricia. Aí, é macho contra "macho" em luta pela fêmea. Achando pouco, o comercial diz que babies e homens, pai/filho poderão lutar com armas iguais, que o homem terá sua vingança, tendo a esposas de volta.
O baby aí, esquecido, abandonado pela mãe, vai à luta - e que luta. Para ter a fêmea só lutando. Luta por beijos, finaliza o comercial. Um final suave, mas o estrago já fora feito.
Não acho que televisão cria comportamento, ela amplia. O vídeo é exemplo de um comportamento que prolifera por aí. Pais e filhos precisam ter atenção desdobrada ao tipo de relacionamento que estão mantendo. Se criando laços afetivos de verdade ou rivalidades mal disfarçadas.

Comentários

Unknown disse…
OI, achei, cheguei, li, gostei. Abrs. Mardilê

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