sábado, março 14

Any word

Quando penso em escrever nunca sei sobre o que será. Sento-me e deixo que as palavras apareçam sob as pontas dos meus dedos passeando no teclado. O pensamento anda tão mais rápido que as mãos, que troco letras, deleto e assim vai se formando um texto.
Já perdi muitos devido a problemas com o computador. Outros apaguei na primeira leitura por achá-los bestas, idiotas, eruditos, incompreensíveis, evasivos ou até mesmo invasivos, mostrando o que não quero revelar. Muitos rasguei depois de anos por não combinarem mais com quem sou.
Acho que escrever é um espírito que se põe bem aqui ao meu lado e me faz dedilhar um piano sem som – que tipo de espírito não sei, não sei nem mesmo se todas as vezes – ou se alguma vez! – sou eu mesma.
Como professora de Português, há uma preocupação de construir o período certo, a concordância limpa, as palavras claras e objetivas. Pecado mortal para quem escreve querer ser claro e objetivo, porque quanto mais as mãos dedilham, mas a cabeça acende trazendo palavras não sei de onde.
Enquanto escrevo, não paro para ler, muito mesmo para corrigir. Quando acho que está bom, paro, leio, apago, releio, vou modelando na tentativa de algo que pelo menos eu não sinta vergonha de dizer que escrevi. Não sei se alguns se arrependem por lê-las – é provável – mas, não me dou ao luxo de auto me denominar escritora. No máximo uma escrevinhadora que exorciza os demônios através das letras. O luxo a que me dou é o de pensar que quem me lê pode me conhecer e me reconhecer nas palavras.

Cliquem aqui e leiam o poeta português Mário Cesariny.

Um comentário:

Irlanda disse...

As vezes paramso no meio de uma escrita pelo medo de sermso descobertos... rsrsrsrs