sábado, julho 2

Lâmina de ViveR


O pessoal de publicidade é muito criativo ou muito louco - ou ambos. É inegável, no entanto, a visão que se tem sobre a tirania dos baixinhos: crianças à mercê dos pais, querendo que suas vontades prevalençam sobre tudo - o mais grave, sobre todos.
O comercial - desconsiderem o título, pois não é o melhor comercial do ano de 2010 - para vender a velha gilette, usa a supremacia da criança sobre o adulto, embora a visão seja muito hollywodiana. Mesmo assim, não se pode deixar de observar que há uma certa apologia à violência para que através dela se consiga o amor da mãe. O complexo de Édipo aí é tão explícito que se chega a sentir pena do pobre pai.
Pobres pais, pobres crianças!
Pobres de todos nós que vivemos em uma sociedade que para vender lâmina de barbear apela para um mundo no qual a pele dos bebês era tão suave, que a mãe esquecia o marido e este, raivoso, ciumento, descobre a lâmina de barbear que deixará sua pele tão suave quanto a do filho que a esposa acaricia. Aí, é macho contra "macho" em luta pela fêmea. Achando pouco, o comercial diz que babies e homens, pai/filho poderão lutar com armas iguais, que o homem terá sua vingança, tendo a esposas de volta.
O baby aí, esquecido, abandonado pela mãe, vai à luta - e que luta. Para ter a fêmea só lutando. Luta por beijos, finaliza o comercial. Um final suave, mas o estrago já fora feito.
Não acho que televisão cria comportamento, ela amplia. O vídeo é exemplo de um comportamento que prolifera por aí. Pais e filhos precisam ter atenção desdobrada ao tipo de relacionamento que estão mantendo. Se criando laços afetivos de verdade ou rivalidades mal disfarçadas.

Um comentário:

Mardilê Friedrich Fabre disse...

OI, achei, cheguei, li, gostei. Abrs. Mardilê