quinta-feira, janeiro 11

EnFIM, a diva!

Depois de seis anos, dolorosa ausência para os ardorosos fãs, a diva Marisa Monte apresentou-se dia 09 no Machadinho para uma platéia bem comportada que cantou todas as músicas, mesmo as dos discos mais novos que não têm um hit popularizado por novela, como Velha Infância, que abusou, apesar da beleza da música (música posta em novela é uma praga: beneficia o cantor por um lado e estraga nosso ouvido por outro!).
A tão malfadada acústica do ginásio não prejudicou em nada a apresentação daquela moça mirradinha, cor de leite, que durante o show passou várias vezes as mãos pelo cabelo numa tentativa de domar a mata em meio a um calor de verão e de refletores. A acústica não prejudicou por uma razão simples e direta: quem sabe, canta; quem não sabe, põe a culpa no equipamento, no local e etc. (Acústica deficiente só foi sentida num pequeno solo de trompete, que ficou parecendo um retinir agudo de apito de trem).
A iluminação, criativa e esteticamente bela, adaptada para um show em ginásio, encantou os desavisados que costumeiramente vão ao Machadinho e foi razoável aos assíduos shows da Vila, do Imirá, onde a iluminação feérica e o público todo em pé fascinam porque se pula e se dança, às vezes até numa pseudo-idéia de show "massa".
Marisa Monte tem construído uma carreira, ao longo de 19 anos, caracterizada como eclética, adjetivo que colou nela como chiclete e que ela, sabiamente, aproveita criando mistérios artísticos e pessoais. Quem sabe o nome do filho da Marisa, hoje com quatro anos? Mano Vladimir (quem me disse foi um colega fã de carteirinha!); o nome do pai da criança, do atual namorado? Dona de sua própria gravadora, grava o que quer, quando quer e com quem quer. E a parceria Arnaldo Antunes, artesão da palavra por natureza, tem rendido boas letras, embora o virtuosismo às vezes atrapalhe. Mas o que importa?
No palco o que importa é ouvir aquela voz refinada em aulas de canto lírico, que no primeiro disco ao cantar South American Way nos fazia lembrar a voz de Billie Holiday, ídolo confessa da cantora, e fazer acreditar que teríamos uma cantora especialista em jazz, mesmo que no mesmo disco houvesse Chocolate e Negro Gato, populares até dizer basta!
O que afirma outra característica da cantora que a moça é: o popular ao ser interpretado por aquela voz aveludada (olha o clichê aí, gente!) transforma qualquer música num clássico, como também aconteceu com a música de pastoril Borboleta.
No público, coisas de sempre: fulaninho emburrado numa evidência que estava ali só para agradar a namorada, preferindo ter gasto os 50 reais dos dois ingressos em outro programa; outro fumando apesar dos declarados abanos de mãos dos vizinhos; um outro que bebeu todas e quase cai arquibancada abaixo, se não fosse amparado pela namorada; gente ligada na rua, nas pessoas, escutando a música sem ouvir, olhando o show sem ver, pensamento em outras dores; outra, enlouquecida, procurando alguém, celular na mão, em pé acenando à escuridão e à multidão, e ainda quem reclamasse de todas as músicas, já que não sabia cantar nenhuma! Eu, por mim, fiquei rouca de cantar, braços doídos de balançar e feliz da vida pelo show e pela companhia. Aliás, um crédito à companhia: se não enchesse tanto a minha cabeça para ir, não teria ido! Sorte minha que não fui teimosa!
Ao final do show, um até breve para a esperança dos fãs que esperam vê-la em tempo menor do que esses seis anos passados. Mas, fã quanto mais demora a ver o ídolo, mas fã fica, pois é necessário continuar acreditando que
"Ela vai voltar, vai chegar/E se demorar, I'll wait for you/Ela vem, e ninguém mais bela/Baby, I wanna be yours..."
Forever.
Ave, Marisa!

OBS.: O google, pai de todas nossas necessidades virtuais, registra mais de 3 mil fotos da cantora. Todas devidamente protegidas, queridos! Mas, aguardem, scanner existe para quê? Como disse anteriormente, fã que é fã é uma praga! tanto fez que me conseguiu uma foto do show. A foto é de Canindé Soares, fotógrafo natalense, e a procura deve-se a Flávia que insistemente ficou fuçando e hoje, dia 11 de março, eu ponho aí.

Um comentário:

Flávia disse...

"Mais uma vez eu vou te deixar
Mas eu volto logo pra te ver
To com saudades no meu coração

Mando notícias de algum lugar..."

Delícia de show! Salve salve Marisa!!!!!!