sexta-feira, fevereiro 6

CansAÇO


Joga o sapato e se perde. O cansaço impregna até o ar que respira. A toalha molhada enxuga-lhe o corpo aquecendo as lágrimas que durante todo o dia conteve. Nua e descalça estira a alma na cama. Fecha os olhos, abrindo-se para um mar calmo, nuvens ao longe, gaivotas pousando sobre um passadiço de navio que somente sua imaginação vê. Besteira. De repente, sobressaltada, pula da cama.
Abre a bolsa, tira a chave. Abre a vida e se joga.

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É obrigado a parar no sinal. Impacienta-se porque não vê carro nenhum no cruzamento, apenas a presença da câmara o impede de continuar. Um carro prateado para ao seu lado. Percebe uma mulher na direção e tem a impressão de ver asas. O sinal não abre, escuta o bater de uma porta e estranha. Olhando em direção ao carro de antes, não encontra mulher alguma. Tenta olhar em todas as direções, mas o cinto de segurança impede-lhe os movimentos.
Vira-se e destrava o cinto no mesmo instante em que o sinal abre. No pára-brisa do carro, a mulher ergue a mão, estilhaça o vidro e o leva em direção ao céu.

Um comentário:

Irlanda disse...

Que bom se pra vida, se jogar e deixar a imaginação fluir! parabéns amei o texto...