sábado, dezembro 9

Where's Monaliza's smile?

Mesmo antes, muito antes, do boom Dan Brown e seu código Da Vinci – dos quais ninguém agüenta mais falar/ouvir – já havia uma polêmica sobre quem seria a mulher de tão enigmático sorriso pincelada pelo Da Vinci, chegando mesmo a se especular que não foi o Leonardo que pintou o famoso quadro (quem sabe foi o Donatello, ou o Rafael, ou o Michelangelo, as tartarugas ninjas!).
Depois de todas essas letrinhas aí acima, vocês podem pensar que me atreverei a escrever sobre pintura renascentista. Não. Quero me referir a outra Mona Lisa. Uma mocinha de 20 anos, cuja grafia do nome era Monaliza.
Monaliza era igual a uma danação de jovens que todos os dias sai para trabalhar, estuda, gosta de baladas, passeia pela internet e curte o sol maluco de Ponta Negra. Também como um bocado de moças, ela tinha um namorado. E aí começava o problema de Monaliza.
O namorado tinha aquilo que hoje os psiquiatras e psicanalistas denominam de "síndrome de Otelo", referência ao personagem Otelo da tragédia shakespeareana, cujo ciúme doentio faz com que ele, desconfiando de traição, mate a mulher, e depois crave o punhal no próprio peito. O monstro de olhos verdes não perdoa. Nele se conjugam valores morais, traços culturais, desvios de personalidade, frustração e o diabo a quatro! No final apenas uma única coisa: há pessoas que reagem mal, muito mal à rejeição!
Psicanálise à parte, o número de mulheres vítimas de crimes passionais é assustador. Há homens aí matando as ex por se acreditarem donos do corpo e da alma daquela que um dia ele considerou sua propriedade. As delegacias estão repletas de boletins de ocorrência, mulheres à procura de proteção. Como as autoridades podem proteger alguém de uma pessoa insana que no meio da rua saca uma arma e "bang, bang, you're dead"?? Muitas dessas mulheres vivem com medo, às escondidas numa casa mantida pela polícia. Perderam a liberdade, deixaram filhos porque um camarada autenticou um registro de senhor absoluto. Muitas, muito mais do que as refugiadas nas casas, estão mortas. Tristemente mortas porque toparam com o amor errado.
Ciúme pode ser lindo no romantismo de Roberto Carlos ("se você demora mais um pouco, eu fico louco..."), no rock do Ultraje a Rigor ("mas, eu me mordo de ciúme") e na erudição de Chico Buarque ("já lhe dei meu corpo, não me servia/ já estanquei meu sangue, quando fervia...") na peça Gota d'água baseada na tragédia grega Medéia (Eurípides) que envenena os filhos e se mata por perder o amor de Jasão. Aqui uma faceta do mesmo problema: mulher ciumenta, obsessiva, mata filhos, mata rival, mata-se até, mas nem sempre mata o objeto do amor, mantendo uma louca esperança de que este lhe pertencerá cessados os obstáculos.
Na vida real, ciúme é f... com ph e tudo!

3 comentários:

Anônimo disse...

Seu raciocínio é perfeito, tenho um orgulho danado!!!!
faguiar

Lucila disse...

Ed, sua lucidez dói. Não que os problemas internacionais com as mulheres me deixem indiferente. É que temos tantas no Brasil com quem nos preocupar!

irlanda disse...

Você foi muito corajosa ao falar sobre esse tema tão complexo e delicado, que acontece em todas as camadas socias, mas ainda é tratado como tabu e tudo miundo finge que não acontece e quando acontece a culpa sempre é da mulher, que envergonhada, não toma nenhuma atitude e quando toma o cara vai lá paga uma cesta básica e fica tudo bem.